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carnaval

Certas decisões definem que tipo de Cristão você quer ser… aquele que pula carnaval, ou aquele que pula o carnaval. Quem é você?

Na minha primeira juventude – já não sei mais em que juventude estou agora -, eu pulei  carnavais. Na realidade, nós nos preparávamos para esse período. Sou do tempo em que havia um curso no centro do Recife, e os bailes dos clubes ficavam responsáveis “apenas” pelo clímax da festa. Prévias eram o “Carnaval em Preto e Branco” do Cabanga Iate Club e o “Mamãe quero Voar”, do Clube de Oficiais da Aeronáutica. Olinda? Isso não fazia parte da agenda. Carnaval de rua muito menos…

Digo isso para que alguém não se antecipe e me julgue como sendo um daqueles que diz que o livro não presta, sem nem sequer ter lido o prefácio. Sim, eu pulei intensamente alguns carnavais. Conheço bem mais do que o prefácio desta festa.

Hoje eu PULO O CARNAVAL – PULO, do verbo pular, saltar por sobre -. Sim, desde o dia 21 de Dezembro de 1979, quando conheci a Cristo e por ele me apaixonei e, pelas suas palavras, decidi guiar a minha vida; Pelo seu ensino, decidi procurar viver; Pela sua ética, resolvi pautar a minha vida e assim por diante. Entendi que existe uma hierarquia nas coisas deste mundo e que elas devem estar sempre relacionadas com o mundo espiritual. Desde então, passei a pensar da seguinte forma: “ O que Jesus faria em meu lugar”?  Lembra do livro, filme, pulseira? Lembre então do evangelho: “aquele que quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mateus 16.24). Por isso, entendi que não deveria gostar daquilo que Jesus não gosta, amar o que ele não ama, estar onde ele não estaria, me deleitar naquilo que ele repudia. Por isso, hoje, eu simplesmente PULO O CARNAVAL.

PULO O CARNAVAL porque não acredito mais na festa como uma expressão apenas cultural. Não costumo demonizar a cultura, mas presto atenção para ver onde o demônio está misturado na cultura, isso eu faço. O carnaval é uma festa ambígua, não posso deixar de ver o lado cultural de tantas manifestações, do espírito do artista brasileiro. É indiscutível que a criatividade do povo não se esgota. Muitos vão se lembrar da história daquele folião que vinha no meio da multidão, puxando uma coleira e gritando “vem Bob, vem Bob!”… As pessoas abriam caminho com receio de um cachorro estar vindo, para depois perceberem que ele apenas puxava um “bob” de cabelo… uma brincadeira hilária como tantas outras.

No entanto, é inegável que o carnaval não se restringe a isso. Há muito perdeu a ênfase folclórica, dando lugar a uma busca por algo mais, um extravasamento do ser que persegue uma satisfação qualquer e que, em nome disso, esquece qualquer limite e se entrega a tudo e a todos. Como em tudo, não podemos generalizar, mas não há como negar que essa é a ênfase da grande maioria, o que vem tornando a festa cada vez mais insegura e terreno fértil para o uso exagerado de bebidas, o consumo de drogas e a prática de uma sexualidade desenfreada. Como cristão, esse não é o meu lugar. Não preciso disso, não estou em busca dessa alegria regada a prazeres da carne, que depois retornam com a depressão da alma. Se você é um cristão(ã), saiba que ESSE NÃO É O SEU LUGAR.

PULO O CARNAVAL, porque existe na festa uma componente espiritual muito forte e verdadeira. Nunca duvide disso. Não seja ingênuo(a) a ponto de dizer que “ se para você esse não é o sentido, não me atinge”… ledo engano. Ninguém passa por uma carvoaria sem sair sujo do pó do carvão. O espírito que domina este mundo está intensamente presente nessa festa. A maior prova disso está na dedicação da festa a certas entidades espirituais.

Em todos os cantos, com diferentes aparatos e máscaras culturais, esta festa é entregue a deuses e orixás. Ano passado, o líder de um dos grupos “folclóricos” disse, em entrevista ao jornal NETV, da rede Globo, enquanto falava sobre a noite dos tambores silenciosos, que “este é um momento de entrega, um momento religioso. Essa festa é uma festa religiosa para nós, estamos entregando a festa aos orixás”. Se você é um cristão(ã), esse é o angulo pelo qual você precisa observar essa festa. Não há como participar disso tudo e não ser parte disso tudo. Essas coisas são inseparáveis.

PULO O CARNAVAL porque, quando conheci a Cristo, decidi pela Escritura que somente a Ele prestaria culto, que somente a Ele meus lábios louvariam. Você também pensa assim? Pois bem, portanto, preste atenção nas letras das musicas do carnaval, que por detrás de um ritmo alucinante, contagiante, estão repletas de louvores a outros deuses, até com frases de abominação a Deus.

Talvez alguém se lembre de um dos mais novos blocos do carnaval do Recife, que se chama “Culto a Baco”, criado em 2007. O grito de “fé” desse bloco irreverente é: “Eu não vou ao culto orar, eu vou ao culto a Baco!” Ora, Baco é o mitológico Deus do vinho e não precisa ir mais adiante para perceber que isso vai além de uma simples irreverência. Talvez isso seja difícil de entender para alguém que não conhece a Cristo e confessa essa fé, mas você que sabe disso pode facilmente perceber o que de fato está por detrás dessa festa. Nada mais contagiante do que os desfiles das escolas de samba, especialmente do Rio de Janeiro. No entanto, seria ingenuidade ou cegueira eletiva nossa tentar omitir que por traz de tudo aquilo está uma componente espiritual muito intensa. Muitas das letras dos sambas enredos, além de passagens históricas fazem alusão e adoração a entidades do candomblé e de outras tendências religiosas espiritualistas. Não é novidade para ninguém que os líderes destes grupos são, em sua maioria esmagadora, devotos de “santos guerreiros”, filhos de “santo” e com suas histórias totalmente ligadas a estas práticas, trazendo assim para suas escolas a louvação a estas entidades, o que compromete a imparcialidade espiritual do movimento. Se você é um cristão(ã) pense nisso para formar a sua opinião e para informar a quem ainda tem dúvida.

PULO  O  CARNAVAL porque, como cristão, entendi que minha vida deve servir de exemplo em tudo e a todo momento. E toda a minha luta para mostrar a verdade do evangelho inclui também o meu comportamento, minha moderação e minha sabedoria. Não levantarei minhas mãos ao céus para dizer frases que não louvem a Deus e sim a falsos deuses; não terei prazer naquilo que não dá prazer ao meu Senhor; não é para mim alegria aquilo que entristece o coração de meu Deus.  A festa pode ser bonita, e em muitos casos é, mas o diabo se faz de cordeiro para iludir a muitos. Eu não serei um desses! Meu entendimento mostra e minha razão testifica que essa festa é algo que não me diz respeito. Se você e um cristão(ã), está na hora de pensar em que tipo de exemplo você deseja ser.

PULO O CARNAVAL porque, além de tudo isso e de muitas outras coisas que poderiam aqui ser colocadas, quero ser alguém que faz a diferença. Com estes exemplos e com a prática de um período de exageros, como citei, de extravasamentos do ser, essa festa se torna a cada dia mais uma verdadeira festa da carne, e os cristãos, por não se sentirem motivados ao extravasamento da carne e sim à busca pelo controle de seus impulsos carnais e por uma vida limpa e pura diante de Deus, devem se afastar desse momento e ensinar aos seus filhos que da mesma forma se afastem de tudo isso. Toda a raiz está comprometida, as intenções estão maquiadas, e a espiritualidade pagã permeia toda a festa. Tenho dito que, por detrás da mais simples fantasia de uma festividade infantil escolar neste período, está uma intenção espiritual que reveste toda a festa. Não há como separar. Se incentivo meu filhinho a se fantasiar hoje e participar das festividades, não poderei me queixar quando ele, já jovem ou adulto, deseje seguir adiante e se envolva na totalidade da festa, se expondo a tais riscos e à contaminação espiritual. O que a sabedoria de provérbios diz é que devemos ensinar a criança no caminho que ela deve andar, para que, quando adulta, não se desvie dele…

Como Bispo e líder espiritual da Diocese de Recife, e como Reitor da PAES, quero dizer que essa é a nossa posição. E é essa a postura que espero de todos os cristãos que estejam sob minha cobertura espiritual, decidindo-se por me acompanhar e PULAR O CARNAVAL.

 

Miguel Uchôa Cavalcanti

Bispo de Recife

Reitor da PAES

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Miguel Uchôa

Miguel Uchôa Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife (PE) e reitor da Paróquia Anglicana Espírito Santo (PAES), na cidade de Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife, desde 1996, quando a fundou. Bacharel em Teologia com pós-graduação pelo Seminário Teológico Batista do Norte. Engenheiro de Pesca com especialização em Israel, China e Brasil. É casado com Valéria e pai de Gabriel e Matheus.