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Ao se fechar a porta de minha adolescência e ao abrir-se a porta de minha juventude, li vários livros sobre revolução, ditadura brasileira e a “ festiva esquerda brasileira” que podia ser traduzida como um grande “ balaio de gatos”.    ( depois da abertura cada gato criou seu próprio balaio e se comem vivos até hoje) Li, sob a influência, da qual sou grato, de minha irmã mais velha, arquiteta de formação. Aliás, ela me introduziu no mundo da curiosidade política, não quero dizer conhecimento, pela minha limitação nessa área.
Um dos best sellers que eu li se chamava “ A Ilha” do jornalista brasileiro Fernando Morais que se tornou o bibelou da esquerda brasileira, quem não havia lido a Ilha? Ora, precisava ler. O autor faz uma comparação entre a Cuba pós ditadura e sob o domínio eterno do ougtro ditador , o Fidel e sua trupe. Mas quem conheceu a ilha de fato, nela aportou e nela viu as atrocidades desumanas que se perpetuam até os dias de hoje, a ausência de democracia, um autoritarismo cruel, prisões desumanas e com uma prática de tortura regular até a presente data. Quem de fato conhece a ilha tem dito que a saúde vai bem, o esporte vai bem, e outras áreas vão bem.. mas o preço da liberdade é alto e o autoritarismo é sem limites.
A Ilha de Fernando é uma utopia, comparo a um paraíso fictício e graças aos blogs e a internet e, nesse caso à globalização, sabemos hoje sem ir lá que de fato é um inferno sem opção de purgatório.
Lí o artigo escrito pelo bispo anglicano Robinson Cavalcanti onde o mesmo faz uma boa análise dos dois lados da crueldade, a americana e a cubana, procurando mostrar que não há santos em nenhum dos dois lados. Concordei com ele quando disse que faltou um estadista americano para atender a Fidel quando ele mesmo sequer ainda tinha posição marcadamente soviética e que foi essa ausência de tato que jogou Cuba para o colo da então União Soviética. Fidel só viría optar pelo comunismo mais tarde e pela influência do terrível Che Guevara que sob a retórica de não perder a ternura, nunca a teve com seus prisioneiros e oponentes sendo ele mesmo chefe “del Paredón” ( somente conheci o verdadeiro Che, quando li a obra de Jorge G. Castañeda “ Che Guevara , a vida em vermelho” .
Chegando aos dias de hoje, nos defrontamos com o cinismo do presidente Lula, que, numa atitude de covardia e arrogância, não sei o que é maior nele, de comparar os presos políticos com bandidos comuns, marginais, assassinos, estrupadores, assaltantes sanguinários etc…
Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade… Lula da Silva
Passar uma borracha em tudo que se disse, creu, defendeu e lutou…Abdicar de sua história para sair de bom moço e abraçar sorrindo o Carrasco Fidel e seu irmão e discípulo Raul? E se encantar com os elogios de Obama … esse é o nosso presidente.
Como não se deve emitir juízo da política dos vizinhos, quando está em jogo a vida e os direitos humanos? Desde quando calar diante da brutalidade é postura de equilíbrio? Quando visitar o Irã, Lula ira depositar flores no tumulo do soldado desconhecido que conhecidamente arrancou a liberdade daquele povo trasnformando-o em um centro de terror.
Não há preço que pague a liberdade, não há preço para o silêncio diante do terror e da opressão.. Lula e seus colegas se esqueceram disso, se esqueceram que essa era a luta nos tempos da ditadura brasileira. Celso Amorim defendeu o governo iraniano dizendo que aquilo lá era uma pequena manifestação… pessoas morrendo pela liberdade e nós aqui , do outro lado do mundo, calados em troca de comércio, negócios, trigo dalí, soja pra lá, milho pra aqui açucar pra lá… e assim a vida humana vai se negocinado e as concessões vão sendo feitas em nome do progresso… mesmo criança assisti uma aliança para o progresso, lembram? estamos agora vendo uma outra aliança, mas está, tão danosa quanto a outra, é para o retrocesso.
Luiz Inácio Lula da Silva, é o senhor camaleão. É como um barco a deriva que não escolhe para onde ir, apenas segue ao sabor dos ventos e para onde eles soprarem. O senhor envergonha a nação brasileira e especialmente a todos que viveram e outros que lutaram contra o autoritarismo em nosso país.
O senhor quer o Brasil no 1º Mundo, mas lembre que o primeiro mundo não é crescimento a 5% e economia estável.. na ditadura crescemos mais que isso… 1º mundo não é o seu paletó limpo e cheiroso e seu cabelo arrumadinho, 1º mundo não é sorriso aqui e alí ou estatísticas e estudos..
Estamos no 5º mundo na justiça, no sistema previdenciario, no sistema penitenciário, na habitação, na política.. nessa vivemos sem mundo
Estamos cercados de corruptos e corruptores, estamos em uma era que lobby se chama consultoria e se paga 620.000 por ela e que o inchamento da máquina governamental faz do Estado um pai generoso.
Quanto a greve de Fome, senhor presidente, pra você ela sempre foi um teatro e quando passou 4 dias na prisão e ensaiou uma delas foi pego com guloseimas no bolso…
Veja abaixo o artigo de Elio Gaspari publicado no globo que posto a seguir.
DEU EM O GLOBO

Para Lula, greve de fome sempre foi teatro
De Elio Gaspari:
Nosso guia, ou Grande Mestre, como diz a comissária Rousseff, comparou as razões dos dissidentes cubanos que fazem greve de fome às dos delinquentes das prisões nacionais.
O aspecto autoritário, intolerante e até mesmo servil da fala de Lula já foi universalmente exposto, mas resta um detalhe: a natureza farsesca de seu próprio recurso à greve de fome.
Em 1980, quando penou 31 dias de cadeia que ajudaram-no a embolsar pelo Bolsa Ditadura um capital capaz de gerar mais de R$ 1 milhão, Lula fez quatro dias de greve de fome.
Apanhado escondendo guloseimas, reclamou: “Como esse cara é xiita! O que é que tem guardarmos duas balinhas, companheiro?”
Em 1998, quando os sequestradores do empresário Abilio Diniz fizeram greve de fome na cadeia, Lula ligou para o presidente Fernando Henrique Cardoso e intercedeu por eles: “Olha, Fernando, você vai levar para a tua biografia a morte desses caras”.(Dar o mesmo telefonema para Raúl Castro, nem pensar.)
Nesse mesmo ano, quando Lula sentiu-se massacrado pelas denúncias de intimidades imobiliárias com o empresário Roberto Teixeira, saiu em busca de apoios e disse que cogitava fazer uma greve de fome. Não fez, e tanto ele como Teixeira alimentam-se bem até hoje.
Recordar é viver. Em plena ditadura, o presidente Ernesto Geisel foi confrontado por uma greve de fome de 33 presos políticos da Ilha Grande que reivindicavam transferência para o continente. Quando o jejum estava no 14º dia, Geisel capitulou: “Ceder a uma greve de fome é duro, mas eu prefiro ceder

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