+55 81 30932991 contato@migueluchoa.com

O sincretismo de um povo

Acabo de assistir um noticiário na TV e em seguida entra o programa de variedades. Ainda sentado na mesa, sem sequer ter levantado para desligar o aparelho, ainda escuto : “ … estou aqui nesse caminho cheio de natureza, verificando se está tudo em ordem, porque amanhã receberemos aqui a Nossa Senhora de Fátima e é muito importante ver se está tudo certo.. dai, continua … estou agora entrando em meu espaço Zen, onde sou recebida por um Buda que me foi doado por meu chefe, já está repleto de rosas…”
Sincretismo, é quando existe um amalgama de crenças, uma mistura de doutrinas diferentes. É quando por exemplo as baianas do candoblé, lavam as escadarias da igreja do Senhor do Bonfim, é quando me ajoelho diante da imagem de Cristo e na sexta feira recebo os passes na mesa branca, é quando carrego comigo as fitas do Senhor do Bonfim, mas não largo minha estátua de Krishna
Nossa nação é uma nação sincrética e isso se dá por vários motivos, mas principalmente pela proibição feita aos escravos de adorarem seus ídolos, o que os levou a darem aos mesmos nomes dos santos católicos, foi assim Conceição se tornou Iemanja
Essa atitude sincrética é comum na sociedade brasileira em praticamente todas as áreas. Somos “ sincréticos” na política que é marcada pela nítida ausência de uma ideologia partidária, somos sincréticos no estilo de vida, juntos formamos um caleidoscópio de tendências . mas isso, nem sempre se constitui um problema, na realidade pode mostrar a diversidade cultural da nação com suas origens variadas e a recepção de grandes imigrações.
No entanto, volto ao caminho “Zen” por onde vai passar a “ Nossa” senhora da conceição e que lá Buda a espera de pernas cruzadas e braços distendidos. Nesse particular vejo no sincretismo a ausência de fé, onde alguns poderiam ver a sua presença em demasia. Segundo a Bíblia, Fé é a certeza das coisas que não vemos , mas o sincretismo mostra a ausência de fé quando “ apela” para diferentes deuses, divindades, crenças, ritos e religiões.
O cristianismo não se admite na perspectiva do sincretismo. Pode parecer difícil para alguns entenderem, mas Jesus Cristo é inclusivo no seu amor, largo em sua misericórdia, grande em compaixão… mas é exclusivo quando se trata do caminho ao Pai celestial.
Na realidade, foi Ele mesmo quem disse “ Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim…Jo 14:6. Essa é a exclusividade, a do caminho, do meio de acesso a Deus Pai. Quando ministrava aos seus discípulos nos momentos finais de sua vida terrena ele disse “ sem mim, nada podereis fazer…” Jo 15:5
Uma nação que busca ser abençoada por Deus deve estar atenta aos seus valores e a espiritualidade é o principal deles. A Bíblia nos ensina que “ Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” . Espero ainda que o sincretismo seja um dia apenas uma expressão cultural, que mostre a diversidade de nosso povo, mas que no tocante a espiritualidade, Jesus possa ser um dia glorificado como único e suficiente salvador.
Leia Mais

Eu sou vencedor, eu sou bebedor de cerveja!

Confesso que fiquei mais uma vez pasmo, diante de uma propaganda que mostra a saga de um atleta, que vence os obstáculos que a vida lhe impõe, dribla, os burocratas, passa pelos médicos, supera os árbitros e depois de outras superações , se mostra como o grande vencedor e por fim afirma… “ Eu sou bebedor de cerveja”
Pensei que era proibido no Brasil atletas fazerem tal tipo de apologia ao álcool em propaganda, mas pelo que me parece, deram um jeito de Não Proibir. Talvez mais um causuísmo do governo, a exemplo da formula 1 de alguns anos passados quando a lei que proibia a propaganda de cigarros nos carros foi “ demolida “ através de decreto urgente para viabilizar o evento da formula 1 no Brasil. Mais uma vez o governo que tanto criticou os poderosos fazia uma concessão a eles.
Mas voltando ao atleta cervejeiro, um homem que de fato vence tantos obstáculos, que avança diante de tanta oposição, que se recupera quando poucos acreditavam… deveria ser mesmo um exemplo para a nação , especialmente para os mais jovens… Mas tudo isso vai por água abaixo quando ele levanta o copo e diz “ sou cervejeiro” !!!
O consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros cresceu 70,5% nos últimos 35 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse resultado coloca o Brasil entre os 25 países com o maior aumento no consumo de álcool nesse período.
A propaganda de bebidas alcoólicas no Brasil é regulada pela lei n. 9,294, de 1996. Segundo essa lei, que também regulamenta os cigarros, entre outros produtos, bebida alcoólica é somente aquela com mais de 13 GL, ou seja, exclui cervejas e vinhos. A principal restrição que apresenta é a redução do horário de propaganda na televisão e no rádio permitindo propaganda de álcool entre 21:00 e 6:00 horas.
A cerveja possui papel de destaque entre as bebidas alcoólicas consumidas no Brasil. Dos cerca de U$ 106,000,000 gastos em propaganda de álcool na mídia em 2001, 80% foi em cerveja. Da mesma maneira, o consumo de cerveja representa 85% das bebidas alcoólicas consumidas. A cerveja certamente é uma bebida alcoólica e tem um papel importante em muitos dos problemas relacionados ao álcool, principalmente no que diz respeito aos jovens. Os números de problemas associados ao álcool no Brasil não deixam dúvida quanto ao potencial devastador deste, principalmente junto aos jovens. Em acidentes com motoristas alcoolizados, episódios de violência relacionado ao álcool, intoxicação alcoólica, etc., os jovens têm uma participação importante e início cada vez mais precoce. As propaganda e marketing das bebidas alcoólicas no Brasil são parte integrante da criação de um clima normatizador, associando-as exclusivamente a momentos gloriosos, à sexualidade e a ser brasileiro.
Restringir a propaganda de álcool é uma estratégia importante? Estudos recentes têm conseguido mostrar associações importantes entre a propaganda de bebidas alcoólicas e o consumo de álcool entre os jovens. Um deles comprovou o impacto que apreciar propaganda de cerveja aos 18 anos tinha sobre o consumo de álcool e o comportamento agressivo relacionado ao uso de álcool aos 21 anos. Outro estudo dirigindo-se à faixa etária dos 10-17 anos, encontrou que gostar da propaganda e assistir propaganda com maior freqüência associou-se com a expectativa de beber mais no futuro. Além disso, muitos dos jovens entrevistados sentiram que a propaganda de álcool os encorajavam a beber, especialmente os meninos de 10-13 anos, que aceitavam as propagandas como realísticas .
Continuamos crendo que não é moralismo, mas caso de saúde pública, segurança pública, violência e outros mais a rejeição da idéia de que alguém seja motivado a associar a idéia de a ser vencedor e nunca desistir ao fato de “ ser cervejeiro”
# Fonte: Alguns dos dados citados aqui são do Movimento Propaganda Sem Bebida (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, da Universidade Federal de São Paulo – EPM/Unifesp) e pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).
Leia Mais